A hipertensão nos idosos através de uma experiência de extensão

 

 Emanuele Cardoso Zibral Santos1  

Karine Lourenço de Figueiredo²     

Núbia Rodrigues Ramos Miranda²

 

 

Resumo

 

Através de uma atividade de extensão promovida pelo NuPS da PUC Minas, realizado em um centro de convivência foi desenvolvida uma oficina sobre hipertensão arterial para os idosos. Nesta oficina os idosos receberam mais informações sobre essa patologia, a qual eles se mostravam muito preocupados e desejosos em conhecer cada vez mais sobre o assunto.

A população brasileira vem envelhecendo desde a década de sessenta, como mostra dados do IBGE. Com o avançar da idade aparecem várias doenças crônicas, uma das mais prevalentes é a hipertensão (HAS).

 

Palavras chaves: Hipertensão arterial; Idosos.

 

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1Aluna do 3° período de graduação em Nutrição da PUC Minas - Unidade Barreiro

² Alunas do 3° período de graduação em Enfermagem da PUC Minas – Unidade Barreiro

 

 

1- INTRODUÇÃO

 

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é “uma doença multifuncional, caracterizada por níveis elevados da pressão no interior das paredes dos vasos sanguíneos, associados às alterações metabólicas e hormonais e a fenômenos tróficos” (AMADO; ARRUDA, 2004, p.96).

A HAS é uma doença crônica que tem como principais fatores de risco:  o aumento da idade, obesidade, usos de medicamentos, uso descontrolado de bebidas alcoólicas, hereditariedade, sedentarismo e dieta. (Sespa, 2008).

Observando que no Brasil e no mundo, há uma crescente incidência de portadores de HAS, a equipe do Núcleo de extensão da PUC Minas, denominado NuPS– Núcleo de Promoção da Saúde formou um grupo interdisciplinar de graduandos da universidade para trabalhar o tema, desenvolvendo oficinas de saúde em um centro de convivência de idosos através do projeto “Visitando Com Saúde”. As equipes foram formadas por estudantes dos cursos de enfermagem, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia, odontologia e educação física.

 

2- METODOLOGIA

 

A temática central das oficinas foi a HAS, sobre a qual cada dupla de cursos organizou suas atividades. A experiência descrita neste artigo é a oficina denominada “Aprendendo com a Hipertensão” realizada por alunas dos cursos de enfermagem e nutrição. Nesta oficina de Hipertensão contamos com a participação de 23 idosos, que foram organizados em dois grupos de trabalho.

Na primeira parte da oficina discutimos o assunto utilizando gravuras de revistas relacionadas com o tema juntamente com perguntas, respostas e um pouco mais de informação. Posteriormente, os fatores de risco e os meios de se prevenir a hipertensão foram mais trabalhados. E em seqüência a aluna de nutrição deu dicas especificas de uma boa alimentação e também entregou uma receita de molho com ervas que dá mais sabor á comida e faz bem para a saúde. Ao término da oficina um folheto explicativo sobre HAS foi entregue.

 

 

 

 

3- DISCUSSÃO

De acordo com a SESAB (2008), a HAS é considerada uma “doença silenciosa”, pois na maioria dos casos o paciente não apresenta sintomas. Essa patologia é diagnosticada em exames clínicos de rotina ou, a partir de complicações nos rins, coração, cérebro e olhos. Entretanto o doente com caso clínico avançado pode apresentar: dores de cabeça, palpitações, tonturas, náuseas, mal estar, calor pelo corpo, sangramento no nariz e falta de ar.

Os fatores de risco que predispõem o surgimento e desenvolvimento da HAS segundo Amado e Arruda (2004) são:

-Avanço da idade: segundo estudos populacionais a prevalência da HAS é maior quanto mais elevada for a faixa etária. Com o decorrer da idade, há redução da complacência  dos grandes vasos, enrijecimento das artérias e diminuição da elasticidade entre outros aspectos fisio-patológicos, que comprometem uma boa função cardíaca.

- Peso corpóreo: a sociedade brasileira de cardiologia afirma que o excesso de peso aumenta de 2 a 6 vezes o risco de hipertensão. Recomenda-se manutenção do peso ideal associado com índice de massa corpórea (IMC). O nível  de IMC para definição de obesidade não se diferencia  na população idosa, havendo, porém maior tolerância para os mesmos.

- Regulamentação Dietética: segundo a sociedade Brasileira de cardiologia, a dieta deve conter baixo teor de gordura, colesterol e sódio e elevado teor de potássio e fibras. O valor calórico total deve ser ajustado para obtenção e manutenção do peso ideal. Muitos pacientes idosos ingerem grandes quantidades de sal e podem, inicialmente, encontrar dificuldades em reduzi-lo em decorrência de uma diminuição da sensibilidade dos receptores de sal (boca) com o avançar da idade.

-Alcoolismo: o excesso no consumo de álcool além de aumentar a pressão arterial, constitui uma das causas de resistência à terapêutica anti-hipertensiva. Foi estimado que cerca de 10% dos hipertensos tem hipertensão induzida pelo álcool. Calcula-se que a ingestão superior a 30 ml de álcool por dia pode aumentar a pressão arterial e dobrar a probabilidade de o indivíduo tornar-se hipertenso, em relação aquele que não consome álcool.

- Vida sedentária: um estilo de vida sem exercícios regulares aumenta a probabilidade de excesso de peso, significando um fator de risco para o desenvolvimento da hipertensão. Com a aposentadoria, os idosos tornam-se mais sedentários, utilizam poucos os músculos e têm maior tendência a aumentar o peso e a pressão arterial.

- Herança genética: níveis de pressão arterial estão correlacionados entre os membros da família, o fato é atribuído à herança genética  comum, ambiente compartilhado ou estilo de vida individuais que tenham hipertensos na família poderão sofrer de pressão alta.

-Medicamentos: vários medicamentos também elevam a pressão do sangue ou interferem na eficácia das drogas  anti-hipertensivas. Dentre estes, estão os contraceptíves orais, agentes antiinflamatórios não esteróides, descongestionantes nasais, ciclosporina, antidepressivos tricíclicos e inibidores oxidases não aminos. (CES, 2008)

Segundo a Junior et al. (2006), existem duas formas de terapêutica, através de tratamentos medicamentosos e não medicamentosos.

 A forma não medicamentosa consiste a uma adoção de um estilo saudável de vida, tais como: controle de peso, padrão alimentar, suplementação de cálcio, magnésio e potássio, redução do consumo de sal, moderação no consumo de bebidas alcoólicas, exercícios físicos, abandono do tabagismo e controle do estresse psicoemocional. 

O tratamento medicamentoso tem como objetivo primordial a redução da morbidade e mortalidade cardiovasculares. São os anti-hipertensivos juntamente como os diuréticos.

O tratamento medicamentoso associado ao não medicamentoso objetiva a redução da pressão arterial respeitando-se as características peculiares e a qualidade de vida dos pacientes o que favorece também a diminuição dos efeitos colaterais dos fármacos. A melhor maneira de se prevenir à hipertensão arterial é o próprio tratamento não medicamentoso que consiste em uma manutenção e controle dos fatores de risco.

O papel e a importância dos enfermeiros perante os hipertensos está ligada ao processo de educação, motivando o portador de hipertensão arterial a realizar o auto cuidado, utilizando estratégias de ensino-aprendizagem, implementando a comunicação do paciente e a verbalização dos seus problemas (JUNIOR et al., 2006). O enfermeiro pode ser identificado como um elemento de confiança no compartilhamento dos problemas e questões de ordem física, social, familiar, econômica e emocional. Na maioria das vezes, os portadores de hipertensão arterial desejam não só esclarecimentos para suas dúvidas, mas também, de alguém que amenize seus anseios.

As informações acima foram transmitidas aos idosos de maneira descontraída, com obtenção de bons resultados. As pessoas gostaram da forma que foi trabalhada e compreenderam que é muito importante cuidar da saúde. A participação de todos foi fundamental para o desenvolvimento da oficina, acrescida por relatos pessoais, conhecimento prévio e esclarecimento de dúvidas. Ao final da oficina foram distribuídos um folheto explicativo sobre a HAS, como controlá-la e como alimentar-se bem com substituição de alguns temperos e ingredientes de costume inadequado.

 

4- CONCLUSÃO

A partir do desenvolvimento da pesquisa e da atividade de extensão (do contato com os idosos através da oficina) foi possível adquirir maior conhecimento sobre a hipertensão arterial, especificamente no público de idosos.

Além do número de idosos estar crescendo constantemente no Brasil e no mundo, o fato desta doença não ter cura e poder favorecer o surgimento de outras doenças mais graves torna muito importante preveni-la e ficar atento aos fatores de risco. Aliado a isso é fundamental a presença de profissionais que desenvolvam um trabalho humanizado e peculiar, que saiba ouvir e auxiliar os indivíduos da melhor forma possível, promovendo saúde e prevenção de doenças.

O cuidar do hipertenso, não somente dos idosos, vai muito além da aferição da pressão arterial, à partir de um modelo matematizado e geometrizado. Envolve vários outros fatores indispensáveis para a volta do corpo à normalidade, como a verificação dos sinais e sintomas e do meio social e cultural ao qual o indivíduo está inserido. É preciso aprender a olhar mais profundamente, além da superfície.

Na atividade de extensão foi possível trabalhar sobre a HAS com os idosos de forma gratificante para ambos os lados. Participar do NuPS, que é um núcleo de extensão, nos proporciona experiências significativas que serão guardadas por muito tempo e usadas na formação profissional e pessoal dos universitários.

 

5- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SECRETÁRIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BALHIA - SESAB, Salvador, 2008. Disponível em: http://www.saude.ba.gov.br/int_prev_hiper.html acesso em:15 abr 2008.

AMADO, Tânia Campos Fell;ARRUDA,Ilma Kruze Grande de. Hipertensão arterial no idoso e fatores de risco associados. Revista Brasileira de Nutrição Clínica, 2004. Disponível em: http://www.asman.org.br/arquivos/asman_artigos60.pdf  acesso em 9 de abril de 2008.

JÚNIOR, Divaldo Pereira de Lyra et al. A farmacoterapia no idoso: revisão sobre a abordagem multiprofissional no controle da hipertensão arterial sistêmica. Revista Latino-americana de Enfermagem, maio/jun.2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v14n3/v14n3a19.pdf acesso em 9 de abril de 2008.

 

6- REFERÊNCIAS CONSULTADAS

SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE PÚBLICA, Belém, 2008. Disponível em <http://www.sespa.pa.gov.br/Educação/ha_diabetes01.htm> acesso em: 12 abr 2008.

 

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - SESPA, São Paulo, 1997. Disponível em: http://www.sbn.org.br/JBN/19-1/v9e1p084.pdf acesso em: 15 abr 2008.

 

 

CENTRO DE EDUCAÇÃO E SAÚDE, São Paulo, 2008. Disponível em: http://www.nutricional.ntr.br/Patologias/hipertensao.htm acesso em:13  abr 2008.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Prevenção da Hipertensão e dos Fatores de Risco associados. cap. 09 diretrizes.pm6, são Paulo, fev.2003. Disponível em:http://publicacoes.cardiol.br/consenso/sbc-palm/1999/dha/Capitulo09_pdf.pdb acessado em 12 de abril de 2008.

REIS, Maria Gorette dos; GLASHAN, Regiane de Quadros. Adultos hipertensos hospitalizados: percepción de la gravedad de la enfermedad y de la calidad de vida. Rev. Latino-Am. Enfermagem,  Ribeirão Preto,  v. 9,  n. 3, 2001.  Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692001000300008&lng=es&nrm=iso>. Acesso em: 21  Sep  2008. doi: 10.1590/S0104-11692001000300008

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA,V. Diretrizes brasileiras de Hipertensão Arterial. Arq Brás. Cardiol..vol. 89 nº 3, São Paulo Sept. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2007001500012&script=sci_arttext&tlng acesso em 5 de abril de 2008 .

 

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